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  • Daniela Barros

Cérebro ontem e hoje



Estudos no campo das neurociências têm contribuído para elucidar as bases neurobiológicas do funcionamento cerebral. Essas informações têm colaborado para um melhor entendimento de processos relacionados à aprendizagem, à memória e ao comportamento. Dessa forma, a divulgação desses conhecimentos para a comunidade em geral, em especial para profissionais da educação, busca nas neurociências subsídios para aprimorar a compreensão dos processos de ensino e aprendizagem a partir de uma perspectiva inovadora.


Você que está lendo este artigo provavelmente aprendeu na escola que o cérebro é um órgão que pouco se modifica, os neurônios não se reproduzem e por aí vai....


Hoje sabemos que o cérebro é o órgão mais plástico que temos, ou seja, é aquele que mais se modifica. Para você ter uma ideia, se pudéssemos fazer um “escaneamento” do seu cérebro antes e depois de você ler esse texto certamente o seu cérebro não seria o mesmo.


A década de 1990 foi proclamada pelo Presidente George W. Bush no congresso dos EUA, como a “Década do Cérebro”, enfatizando o potencial de cientistas em realizar descobertas importantes relacionadas ao seu funcionamento.


Mas temos que ter presente que os estudos com o cérebro começaram há muito mais tempo. Por exemplo, nos anos de 1860 se acreditava que o cérebro funcionava como um órgão único com múltiplas funções, à semelhança do fígado.


Em 1861 Jean Pierre Paul-Broca, um médico francês, observou atentamente um dos seus pacientes que havia sofrido uma lesão cerebral e somente verbalizava os sons “tan-tan”. Logo após a morte desse paciente, lembre-se que naquela época não havia exames de imagem, Broca analisou o cérebro desse paciente e percebeu uma alteração no lobo frontal esquerdo. Esse foi um marco histórico a partir do qual se levou em consideração que as funções cerebrais possuem uma localização específica no cérebro. Alguns anos mais tarde, o alemão Karl Wernike descobriu que uma área cerebral localizada um pouco mais atrás da área de Broca, no hemisfério esquerdo era responsável pela “compreensão da fala”.


Não podemos deixar de mencionar outros dois grandes cientistas que marcaram a história no campo da neurociência. São eles Camillo Golgi (1843-1926) e Santiago Ramón y Cajal (1852-1934). Mas afinal, qual foi a contribuição deles? Golgi, histologista italiano, utilizou uma coloração à base de sais de prata e percebeu que os neurônios se coravam de preto. Ele acreditava que os neurônios formavam uma única estrutura. Mas foi Cajal, um histologista espanhol, que utilizando e aperfeiçoando a técnica de Golgi, desvendou os mistérios das conexões em muitas regiões do cérebro. Incrível é que os dois pesquisares tinham pensamentos opostos e dividiram o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1906. Mas na ciência é assim que acontece, partimos de conhecimentos prévios e vamos aprimorando.


Pois bem, nas últimas décadas muitos estudos têm sido realizados abordando detalhadamente o funcionamento do cérebro, especialmente através da utilização de técnicas de registro elétrico (eletroencefalograma) e de imagem como, por exemplo, ressonância magnética funcional (fMRI) ou espectroscopia funcional de infravermelho próximo (fNRIS). Hoje é possível registrar dois cérebros interagindo (hiperescaneamento), embora de maneira incipiente devido à alta complexidade requerida deste tipo de exame.


Dessa forma é possível ressaltar a importância da pesquisa básica sobre o funcionamento do cérebro o que, quiçá, poderá contribuir de forma significativa para a pesquisa aplicada gerando inovação em diferentes searas em especial no âmbito da educação.




Dra. Daniela Martí Barros

Pesquisadora, professora e palestrante


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