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  • Daniela Barros

Neurobiologia da autocompaixão



Por uma questão de sobrevivência, quando nos sentimos atacados ou em perigo acionamos o nosso sistema corporal de ameaça-defesa. Esse sistema nos prepara para a luta ou fuga, acelerando os batimentos cardíacos, aumentando a disponibilidade de glicose, reduzindo o fluxo sanguíneo para as extremidades (isso explica as mãos frias) e aumentando para os órgãos vitais, como coração, pulmões, fígado e cérebro.


Há o aumento do diâmetro dos brônquios, permitindo uma maior ventilação, e uma apuração da acuidade visual devido a dilatação das pupilas. Isso se dá pela ativação do sistema nervoso autônomo simpático (ocorre independente da nossa vontade e do nosso controle). Além disso, a amígdala (estrutura cerebral envolvida no processamento do medo, entre outras emoções) é ativada, bem como o sistema de estresse, aumentando a liberação de adrenalina e cortisol.


Quando nos autocriticamos de modo ferrenho, nosso organismo reconhece essa atitude como uma ameaça e aciona o sistema de luta ou fuga. A autocrítica está relacionada em grande parte a maneira como percebemos a nossa autoimagem e nosso autoconceito diante do outros. Dessa forma, sentir-se ameaçado com frequência provoca estresse crônico, ansiedade e por vezes depressão.


Como mamíferos, nascemos vulneráveis e com necessidade de cuidados. Possuímos um “sistema de cuidado” que é ativado pelo toque calmante e pela vocalização suave, entre outras formas. Essas ações ativam o sistema nervoso autônomo parassimpático que reduz os batimentos cardíacos, a pressão arterial e os níveis de glicose sanguíneos. Aumenta a liberação de ocitocina (hormônio produzido pelo hipotálamo responsável entre outras funções pela empatia e pela modulação da sensibilidade ao medo) e de endorfina.


Saber lidar com a autocrítica e praticar a autocompaixão possibilita um avanço na qualidade de vida. Essa prática auxilia na redução da resposta do sistema de luta-fuga e diminui a predisposição para reações como autocrítica, isolamento e ruminação de pensamentos.

Treinar a autocompaixão mesmo quando nos sentimos inconvenientes, permite-nos experimentar uma sensação de segurança, como alguém que está recebendo um abraço de um ente querido.


Para saber mais:

BEAR, M., CONNORS, B.W., PARADISO, M.A. Neurociências: desvendando o sistema nervoso. Porto Alegre: Artmed, 2017.

NEFF, K., GERMER, C. Manual de mindfulness e autocompaixão. Artmed, Porto Alegre, 2019.



Dr.ª Daniela Martí Barros

Pesquisadora, professora e palestrante


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