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  • Daniela Barros

Dia do Professor no Brasil, 192 anos



Talvez pouca gente saiba a origem do Dia do Professor. No dia 15 de outubro de 1827 (dia de Santa Tereza D’Ávila – educadora), há 192 anos, D. Pedro I assinou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Nesse decreto haviam ideias interessantes como as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender, como os professores deveriam ser contratados, qual era remuneração dos professores, entre outras determinações. Em 14 de outubro de 1963, por meio do Decreto Federal 52.682 que foi instituído o Dia do Professor, que dizia: “para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função de mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias”.


Ao ler esse trecho do decreto me deparei com a expressão “enalteça a função de mestre na sociedade moderna”. Mas afinal, o que é ser mestre? Ser mestre é muito mais que ter mestrado, doutorado, pós-doutorado. Ser mestre é muito mais que ter conhecimento (o que é muito importante). Mestre é aquele que acolhe, que compartilha seus valores, suas dores, que cresce junto com seus alunos, que vibra com a vitória deles, e que também é um “ombro amigo” nos momentos difíceis.


Me descobri docente há trinta e cinco anos, quando então tinha vinte e um anos, em uma sala de aula de preparação para o curso Supletivo (hoje Ensino para Jovens e Adultos – EJA). Uma sala de aula com aproximadamente 80 alunos, no noturno, todos mais velhos do que eu. Tinha que subir em um tablado para que pudessem me enxergar, pois tenho um metro e cinquenta e oito centímetros. Embora esse fosse um trabalho para uma segunda renda, algo muito especial aconteceu comigo... me descobri professora!


A partir daí me dediquei à carreira docente, foram vinte sete anos na Universidade Federal do Rio Grande – FURG, ministrando aulas de farmacologia para os cursos de medicina e enfermagem e neurociências para o curso de psicologia. Não que tenha sido fácil, nos primeiros anos depois de cada aula tinha que trocar a blusa, de tanto que eu suava de nervosa! Depois a gente vai ficando mais confiante, mais segura e a sala de aula é cada vez mais aprazível. Muitos passaram por mim, alguns consigo lembrar os nomes, outros infelizmente não, mas reconheço o semblante da maioria.


Coordenei o Laboratório de Neurociências, realizando pesquisa básica durante dezesseis anos, porém desde 2009 um lado B começou a se desenvolver devagarinho. A aproximação da neurociência com a educação, através de ações extensionistas como Seminários de Neurociências e Educação, onde o público alvo eram os professores de ensino básico. Oportunidades para a integração de saberes advindos das descobertas mais atuais de como o cérebro funciona, o papel das emoções, do sono, da estimulação no processo de aprendizagem, amalgamado com as experiências do dia a dia da sala de aula geram uma aprendizagem significativa e consolidada. Essa é a força motriz que me leva cada vez mais ao encontro dos professores de ensino básico, caminho longo a ser percorrido, repleto de belezas e porque não dizer de alguns reveses.


Não poderia finalizar sem fazer alusão aos ganhadores do Prêmio Nobel da Economia 2019, com o mote da “abordagem experimental para aliviar a pobreza global”. Conforme afirmou a Academia, “como resultado direto de um de seus estudos, mais de cinco milhões de crianças indianas se beneficiaram de programas eficazes de aulas de reforço na escola”.


Desejo a todos os professores um dia muito especial!



Dra. Daniela Martí Barros

Pesquisadora, professora e palestrante


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