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  • Daniela Barros

Neuroplasticidade além das fronteiras



Neuroplasticidade vai muito além as alterações morfológicas e funcionais em redes neurais do indivíduo, as quais são ativadas por uma infinita gama de estímulos. Cada vez que relações acontecem entre sujeitos ocorre a ativação de redes neurais como se fosse uma conversa entre os cérebros. Quanto maior o conteúdo emocional aí presente, maior será a ativação dos mecanismos de neuroplasticidade entre as pessoas envolvidas.


Muitos são os elementos envolvidos em um processo relacional, onde a comunicação exerce seu papel através da prosódia, da linguagem corporal, do olhar, os quais determinam a sintonia da atividade neural entre as pessoas que estão se comunicando/relacionando. Uma das maneiras de conectar “cerébros” é através da contação de histórias e narrativas que permitem tanto a quem está falando como a quem escuta “sintonizar” seus cérebros. A isso chamamos de plasticidade transpessoal.


Nesses tempos de pandemia em que as crianças estão em casa, a grande maioria sem acesso à escola, ganham grande força os momentos de formação doméstica especialmente através da contação de histórias. Temos aí a possibilidade de revezar a hora do conto entre as crianças maiores, adultos e os idosos da família, ou mesmo através de programas de contação de história em espaços virtuais. O cérebro do contador de histórias se modifica e é alterado pelo cérebro que ouve e “vive” a história. Esse processo de plasticidade transpessoal ocorre em muitas ocasiões de interação social, entre pais-filhos, filhos-filhos, professor-aluno...


Um grupo de pesquisadores norte-americanos, em 2010, demonstrou que a atividade cerebral de uma pessoa que estava contando uma história gravada somente em áudio (na época em gravador) era muito semelhante à do indivíduo que estava ouvindo a história.


Mais recentemente, o trabalho de uma equipe de cientistas brasileiros da Universidade Federal do ABC (UFABC) demonstrou através da utilização da técnica de hiperescaneamento (registro de atividade cerebral chamado espectroscopia funcional de infravermelho próximo - fNRIS) a interação entre uma criança e sua professora, durante a realização de operações matemáticas por meio de um jogo. Os resultados desse estudo mostraram que em determinado momento da realização da tarefa há uma sincronia de atividade neuronal entre os cérebros da criança e da professora.


Por fim, acredito que quanto maior o acesso a resultados científicos em neurociências se amplifica o aprimoramento das relações em todos os níveis em especial familiar e educacional.

Para saber mais:

Lent R. O cérebro aprendiz: Neuroplasticidade e Educação. Ed Atheneu, Rio de Janeiro, 2019.


Dr.ª Daniela Martí Barros

Pesquisadora, professora e palestrante


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